por Célio
Edmundo Sobral administrador de uma holding, sai da empresa e
entra no automóvel, julgando que era o seu, apesar de estranhar não o ter
deixado no habitual lugar de estacionamento. A saída tinha como destino uma
outra empresa do grupo, para uma importante reunião. Só deu pelo engano quando
procurava os óculos de sol no porta luvas.
Saiu do
automóvel e verificou, efetivamente, que não era o seu. O automóvel era do seu sócio Abílio Tavares. O
que se passou não encontrou qualquer explicação.
Um carro da polícia passa por ele a apitar, e, instintivamente, com sentimento de culpa, esconde-se atrás do guarda lamas. Nesse momento vê uns sapatos de um policial junto de si. Quando levanta os olhos, o polícia diz:
- Não vale a pena esconder-se, o senhor não pode estacionar aqui. Faz o favor de circular.
- Senhor guarda, vim verificar este pneu porque o carro vinha a fugir-me!- desculpou-se.
Meteu-se no carro, aborrecido com o que tinha acontecido, desmarcando por telemóvel a reunião. Fez inversão de marcha e dirigiu-se à rotunda que dava para a empresa. A saída era na segunda rua à direita, mas, talvez por distração, ou por uma razão que ainda hoje não consegue descortinar, entrou na terceira à esquerda que levava ao centro da cidade. Estava a rememorar qual seria o melhor caminho para regressar à empresa, quando um semáforo passou a vermelho. Parou o automóvel.
Estava a olhar para o semáforo colocado à sua esquerda, quando ouve a porta do lado direito a abrir-se e entrar uma mulher. Era Odete, a esposa do Tavares.
- Estava a ver que nunca mais chegavas? – disse Odete com ar irritado.
Edmundo não reagiu. Não sabia o que aquilo queria dizer. Olhou para o espelho retrovisor que estava, estranhamente, virado para si, e viu refletida a cara do sócio, do Tavares. Instintivamente olhou para o banco de trás; não estava ninguém.
-Vais ficar aqui especado?...o sinal já está verde. Leva-me ao shopping.
Edmundo olhou novamente para o espelho retrovisor que continuava na mesma posição e, de novo, refletiu a cara do Tavares.
- Não sabia que tínhamos combinado este encontro? – disse receoso.
Um carro da polícia passa por ele a apitar, e, instintivamente, com sentimento de culpa, esconde-se atrás do guarda lamas. Nesse momento vê uns sapatos de um policial junto de si. Quando levanta os olhos, o polícia diz:
- Não vale a pena esconder-se, o senhor não pode estacionar aqui. Faz o favor de circular.
- Senhor guarda, vim verificar este pneu porque o carro vinha a fugir-me!- desculpou-se.
Meteu-se no carro, aborrecido com o que tinha acontecido, desmarcando por telemóvel a reunião. Fez inversão de marcha e dirigiu-se à rotunda que dava para a empresa. A saída era na segunda rua à direita, mas, talvez por distração, ou por uma razão que ainda hoje não consegue descortinar, entrou na terceira à esquerda que levava ao centro da cidade. Estava a rememorar qual seria o melhor caminho para regressar à empresa, quando um semáforo passou a vermelho. Parou o automóvel.
Estava a olhar para o semáforo colocado à sua esquerda, quando ouve a porta do lado direito a abrir-se e entrar uma mulher. Era Odete, a esposa do Tavares.
- Estava a ver que nunca mais chegavas? – disse Odete com ar irritado.
Edmundo não reagiu. Não sabia o que aquilo queria dizer. Olhou para o espelho retrovisor que estava, estranhamente, virado para si, e viu refletida a cara do sócio, do Tavares. Instintivamente olhou para o banco de trás; não estava ninguém.
-Vais ficar aqui especado?...o sinal já está verde. Leva-me ao shopping.
Edmundo olhou novamente para o espelho retrovisor que continuava na mesma posição e, de novo, refletiu a cara do Tavares.
- Não sabia que tínhamos combinado este encontro? – disse receoso.
Para seu espanto, a voz
que saiu era a do Tavares, aquela voz rouca, inconfundível. O que se estava a passar não era real. Gotas
de suor começaram a perlar a sua
fronte.
- Claro nunca
te lembras de nada. A propósito, já te disse, e espero não voltar a
repetir, que tens que resolver o
problema da sociedade com o Edmundo. As empresas estão cada vez estão pior, e
qualquer dia vamos à falência – disse Odete
- Mas o Edmundo é um bom profissional, e as empresas estão a progredir, ao contrário do que tu dizes – disse o que na realidade sentia, apesar de ser uma autodefesa, com aquela voz que não era a dele.
- Mas o Edmundo é um bom profissional, e as empresas estão a progredir, ao contrário do que tu dizes – disse o que na realidade sentia, apesar de ser uma autodefesa, com aquela voz que não era a dele.
- O Edmundo
só pensa na caça e na pesca. Devias associar-te mas era ao Celso Moreira- disse
Odete.
- Mas quem é o Celso Moreira? - perguntou curioso.
- É o ex-marido da minha amiga Paula, é um expert na matéria. É formado em gestão de empresas, esse sim, e que era um bom sócio! – disse Odete com ar convencida, não justificando as razões, talvez não fosse conveniente estender-se muito em explicações.
Edmundo olhava-se ao espelho e a resposta refletida era a mesma – Abílio Tavares.
- Deixa-me aqui! - disse Odete.
Parou o carro e Odete saiu sem se despedir
- Mas quem é o Celso Moreira? - perguntou curioso.
- É o ex-marido da minha amiga Paula, é um expert na matéria. É formado em gestão de empresas, esse sim, e que era um bom sócio! – disse Odete com ar convencida, não justificando as razões, talvez não fosse conveniente estender-se muito em explicações.
Edmundo olhava-se ao espelho e a resposta refletida era a mesma – Abílio Tavares.
- Deixa-me aqui! - disse Odete.
Parou o carro e Odete saiu sem se despedir
Edmundo estava atónito.
Olhou-se de novo ao espelho e com satisfação viu refletida a sua imagem. Voltou.
Era ele Edmundo. Abriu a janela e perguntou a um transeunte onde ficava a rua do
Paraíso, sabendo ele, perfeitamente, que era a próxima à direita. Mas a razão
era outra. Efetivamente, a sua voz tinha voltado. Voltava a ser de novo o
Edmundo.
Apesar de
contente, ficou apreensivo. O que se tinha passado teria sido uma visão? um
fenómeno paranormal? ou nada daquilo se tinha passado?. Talvez excesso de
trabalho. Já não se lembrava o que eram férias. Talvez fosse conveniente visitar
o seu psiquiatra.
Afinal, havia explicação para o sucedido com a troca dos automóveis. Os automóveis eram da mesma marca, cor, cor de estofos, e tudo o mais; só não se compreendia a razão da chave ter o mesmo código.
Afinal, havia explicação para o sucedido com a troca dos automóveis. Os automóveis eram da mesma marca, cor, cor de estofos, e tudo o mais; só não se compreendia a razão da chave ter o mesmo código.
O Tavares já
tinha dado por falta do carro e não
ficou admirado ao ver o colega a entrar na empresa. Edmundo contou o sucedido
que foi motivo de grande galhofa.
Baralhado com o rol de acontecimentos, voltou ao trabalho. Quando chegou ao gabinete, a secretária disse que tinha um senhor na sala de espera aguardando-o para uma reunião.
- Não me lembro de ter marcado qualquer reunião? Disse quem era? - perguntou Edmundo
- Não!- disse
a secretária.
Edmundo dirige-se à sala de espera, entra, e o homem que o aguardava tinha à volta de 45 anos, bem vestido, com ar agradável.
- Sei que não nos conhecemos doutor Edmundo. Sou Celso Moreira e vou direto ao assunto. Tenho uma proposta a fazer-lhe que penso ser muito vantajosa para o doutor, diria irrecusável.
Edmundo nada disse. Sentou-se e sorriu.
Baralhado com o rol de acontecimentos, voltou ao trabalho. Quando chegou ao gabinete, a secretária disse que tinha um senhor na sala de espera aguardando-o para uma reunião.
- Não me lembro de ter marcado qualquer reunião? Disse quem era? - perguntou Edmundo
Edmundo dirige-se à sala de espera, entra, e o homem que o aguardava tinha à volta de 45 anos, bem vestido, com ar agradável.
- Sei que não nos conhecemos doutor Edmundo. Sou Celso Moreira e vou direto ao assunto. Tenho uma proposta a fazer-lhe que penso ser muito vantajosa para o doutor, diria irrecusável.
Edmundo nada disse. Sentou-se e sorriu.

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